O petróleo, as energias alternativas e a EDP

Apesar de cada vez dar menos atenção às chamadas notícias, há algumas que pela sua repetição incessante, acabam por se intrometer. Parece que anda por aí uma grande agitação, pois o petróleo não para de aumentar.

Não deixa de ser irónico, de tão previsível. E nunca entendi como é que estes acontecimentos tão previsíveis, nunca são previstos pelos especialistas e principalmente por quem nos tem governado. Já desde os anos oitenta, se apregoava o fim do petróleo. Entretanto, as reservas petrolíferas têm esticado fortemente e nunca o consumo foi tão elevado. Mas, países como Portugal sem recursos petrolíferos, não só tinham a obrigação, como o dever de acautelar esta situação e principalmente investir em alternativas, tanto ao nível da investigação como da instalação. Mas, quase nada foi feito e mesmo objectivos modestos não foram alcançados.
Aqui há uns tempos, contactamos a empresa FFSolar que nos informou que não era possível a ligação à rede de um sistema solar, apesar de existir legislação para o efeito, e que o melhor era contactarmos a EDP. Foi o que fizemos, através do site da empresa. Não só não merecemos resposta, como entramos directamente para a lista do marketing e passamos a receber spam (e-mail não solicitado). Porque é assim que estas grandes empresas agem em Portugal, com o maior desrespeito possível pelos clientes. Quem alguma vez visitou os EUA, Alemanha, Reino Unido…. sabe a que me refiro.
Nos países com algum grau de civilização e alguma visão estratégica, o estado paga metade da instalação de um sistema de energia solar. Se estiver ligado à rede (preferível), o processo é extremamente simples: se gastar mais energia que a que produz, vai buscar energia à rede e o contador anda normalmente; se pelo contrário produzir mais energia do que a que consome, o contador “anda para trás” e a energia produzida é introduzida na rede (vendida, portanto). Esta energia em si não poluente, cai literalmente do céu e as vantagens são óbvias para o estado, que evita importá-la ao preço volátil do mercado. Numa visão utópica em que todos os portugueses produzissem a sua própria energia, teoricamente até nos tornaríamos exportadores, ou pelo menos, muito pouco dependentes. Já para não falar em toda uma indústria altamente especializada que se poderia desenvolver e de uma rede de prestação de serviços, igualmente especializada, de instalação e assistência aos equipamentos.
Mas não, para já, os interesses acomodados, preferem importar tudo e vender ao preço que lhes convém um bem para o qual não temos alternativa.
Claro que há sempre a hipótese de viver desligado da rede, tendo baterias para armazenar a energia produzida, mas tirando o caso de locais muito isolados, não vejo qualquer vantagem nisso, que não seja marcar uma posição ou coisa que o valha.

3 Responses to “O petróleo, as energias alternativas e a EDP”

  1. jrf

    Obrigado pela informação. Vou já investigar! Entretanto estive a visitar o site da Quinta e gostei bastante, parabéns. Se calhar um dia passamos por lá, quando o Pedro nascer e crescer um bocadinho.

  2. Rogelio Raimundo Dosouto

    Jose Rui Fernandes, Com certeza a energia solar é a melhor e o sol brilha em todas as nações, entretanto sua instalação em larga escala ainda é muito cara. O meu objetivo é utilizar a energia solar, mas sem ligar meu sistema a rede externa, isso é praticamente impossivel ( pelo menos por enquanto ou nos proximos 30 anos !). As celulas fotoeletricas sao cada vez mais baratas, maiores e podem ser ligadas em serie e paralelo. O dia que eu conseguir arrancar o poste da rede eletrica externa sera dia de festa, eu ate penso fazer um veiculo hibrido movido a energia solar e humana e jogar o carro que gasta combustivel num barranco bem grande, odeio carros. Meu sonho é poder um dia construir um forno termeletrico aproveitando a transformação direta da energia termica em eletrica.
    Rogelio de Mairiporã- Sao Paulo- Brasil
    urograndisrrd1@gmail.com ( http://www.alphacentauro.com.br )

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