A História Secreta

Nos dias na Praia da Tocha, além de andar de bicicleta, fiz algo que não fazia há demasiado tempo. Ler ficção. Com a quantidade insana de revistas que leio, livros técnicos e em geral de algum modo relaccionados com o que faço — além do blog :) –, a verdade é que não tenho tempo, nem capacidade, para livros “normais”. Mas, adoro ler um bom livro normal.

“A História Secreta” é o primeiro livro de Donna Tartt, editado por cá pela Dom Quixote. Pelas citações da contra-capa, não foi difícil adivinhar para onde ia a história, mas confesso que achei o caminho para lá chegar deveras interessante. É uma viagem alucinada, pela degradação psicológica de um grupo de estudantes de grego antigo, na universidade de Hampden, em Vermont, bem a norte nos EUA — onde ocorre um fenómeno chamado Verão Índio, onde as árvores ficam doidas, numa explosão de cor.
É um livro longo e lento. Só começa realmente lá para a centésima página, a autora demora o seu tempo a colocar-nos exactamente no contexto e é bom lembrar que só acaba ao fim de 700 páginas, quatro dias, no meu caso. Uma nota para a fotografia de Donna Tartt da contra-capa… Parece acabada de sair do romance, ou pelo menos de um livro de grego clássico. Uma maravilha.
Pelas razões invocadas, tento ser muito criterioso em tudo o que escolho, seja um livro para ler, um filme para ver… Fico muito contente quando preencho o meu tempo com tarefa que considero acertada. Não há nada pior que ver um filme nojentíssimo. Bem, um livro ainda seria pior, porque nunca deixo nenhum livro começado por acabar. Mesmo que não goste de início. Mas, a verdade é que literalmente não me lembro de um livro que não tenha gostado. Quem não lê, não sabe o que perde.

Entrevista com Donna Tartt.
As cores de Outono de Vermont.
Vermont.
Indian Summer.
Fotografias de árvores e mais fotografias no Indian Summer.

A tocar no iTunes: Rakim (Lille, 16 March) do álbum “Selections From Europe 2005” Dead Can Dance (Classificação: 5)

Uma resposta para“A História Secreta”

  1. cerveira pinto

    Concordo plenamente. A leitura é, sem dúvida, um dos grandes prazeres da vida. Então se for na companhia dessa grande dupla (Lisa Gerrard e Brendan Perry) que dá pelo nome de Dead Can Dance, melhor. Neste momento estou a ler uma aventura, que é um clássico e que se chama “Os Sete Pilares da Sabedoria”, de um senhor chamado Thomas Eduard Lawrence. Pena é estar “manchada” por uma fraca edição em que a tradução é, no mínimo, duvidosa e por inúmeras gralhas (nunca gostei dos leivros da Europa-América e com isto só piora esta impressão).
    Abraço.
    Manuel

  2. jrf

    Hã… Não quero dar ideia que tenho uma história mirabolante para cada assunto mas…
    Um dia contaram-me que a Europa-América é má ao ponto de fazer, por exemplo, uma prospecção para tradutores, entregando capítulos de uma obra a editar aos candidatos. Cada qual, traduz o seu, alguém na editora une aquilo tudo e voilá, tradução grátis.
    Os candidatos, no máximo recebiam uma palmadinha nas costas e eventualmente algum receberia obras para traduzir no futuro.
    As edições são tão más, que às tantas acreditei nesta história — de alguém que conhece alguém, filho de alguém que desenhou umas capas para eles. Ui, ui.

  3. cerveira pinto

    Não me custa muito acreditar nessa “teoria”… Se não fosse o facto de não conhecer outra edição (ou até o original, em inglês), penso que teria abandonado a leitura. É inadmissível como é possível editar (e assassinar) assim um livro…
    Manuel

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