Tomates e outros bichos

Tomates'
Na fotografia o que julgo ser tomates chucha, alicante, cereja e coração de boi — acabados de colher. Os alicantes são do único pé sobrevivente dos que semeei e produz desalmadamente; os chucha e coração de boi, foi o senhor Miguel que o meu pai contrata que plantou; os cereja, por estranho que pareça, são quatro pés espontâneos. Todos ex-ce-len-tes.
Aproveito para elaborar um resumo das sementeiras e culturas que fiz este ano…

Aipo
Lá anda. É uma erva de sabor muito forte e crescimento muito lento. É para usar com moderação. A fileira produziu razoavelmente.

Alface ‘Crespa Amarela’ e ‘Bionda foglia’
A primeira produziu bem e é saborosa se bem que um pouco forte (para mim é tudo forte). A bionda, tentei a primeira vez e entre golpe de calor e bicharada, não deu; segunda vez, não deu; terceira vez, sobreviveram quatro pés que trataram de espigar imediatamente. Nem deu para provar.

Alface ‘Aruba’
Produziu e ainda produz bem. Confesso que achei o sabor forte demais para o meu delicado gosto.

Beringelas, tomatilhos, cebolinho, camomila, cenouras
Zero.

Feijão ‘Zuni shalako’ intercalado com milho ‘Hopi speckled’
O milho tem uns quatro pés, o feijão, zero. Negativo.

Feijão francês anão
Atacado fortemente pelo piolho, serviu de infantário para dezenas de joaninhas. Não dei o tempo como perdido e ainda deu para colher uma única vez.

Alface-da-terra (Corn salad — Valerianella locusta?)
Não deu quase nada, as abóboras invadiram o espaço. Negativo.

Pimentos ‘Jalapeño’ e ‘Sweet Nardello’
Foram atacados, ainda a desenvolver-se na sementeira, pelas larvas daquela invasão de traças que houve. Desconfio que dos sobreviventes não vai dar sequer para provar. Negativo.

Tomate ‘Brandywine’
Estão a produzir, incluindo num vaso. Ainda não amadureceu nenhum.

Abóbora de Halloween e outra variedade do ano passado
Estão a produzir bem, embora ache as plantas com bastante mau aspecto. No entanto as abóboras estão boas.

Abóbora ‘Gigante do Atlântico’
Apodreceram todas. Não percebo porquê, fiquei desiluso — com um nome destes, tinha grandes expectativas de pelo menos uma abóbora extraordinariamente grande. Para o ano não falha!

Bolina
Não germinou.

Chila
Está a produzir bem.

Courgettes do ano passado
Não germinaram.

Courgettes ‘Albarello di Sarzana’ e ‘Ronda di Nizza’
Tinha grandes esperanças, mas no fim produziram muito pouco. As ‘Ronda di Nizza’ floriram, floriram, floriram — colheita, talvez umas 12 courgettes em seis plantas. Uma miséria. Tenho uma segunda rodada de ambas, mas só vejo flores a aparecer e a cair (caro Rui Matos, não me esqueci da foto, mas faltaram-me os exemplares).

Tomates ‘Alicante’
Apenas um pé, mas produção enorme e muito elogiada. Toda a gente gosta dos tomates (menos eu, a menos que sejam cozinhados). Ainda hoje, uma massa estilo italiano, com toneladas de ‘alicante’, estava maravilhosa — toda a gente comeu segundo prato, incluindo os minis Luisa e Pedro.

Mizuna
Muito pouco, mal deu para provar. Pareceu ter certas semelhanças com a rúcula. Come-se.

Rúcula
Produziu aceitavelmente. No entanto, é necessário colher muito precocemente, porque crescendo o sabor é demasiado forte. Depois de cortar supostamente cresce para segunda rodada, o que não se verificou.

Agriões
Grande sucesso. Produziram quatro sementeiras sucessivas, rapidamente e em boa quantidade. Uma das melhores surpresas. E toda a gente gosta.

Ervilhas ‘meteor’
Assinalável sucesso e muito boas.

Ervilhas ‘telefone’
As lesmas e caracóis atacaram cedo. Mesmo à segunda tentativa as plantas ficaram fracas e produziram pouco.

Favas ‘super aquadulce’
Maravilha. Boa produção e boas.

Coentros
Timidamente, vão dar alguma coisa.

Não me estou a lembrar agora de mais culturas… Nota-se aquilo que poderia chamar resultados mistos. No global, acho que foi positivo, mas claro que gostava de ter mais algum sucesso. As courgettes foram uma desilusão na quantidade. Outras coisas gostava de ter tido ou de ter em maior quantidade.
Falhou a parte de planeamento do espaço e plantação sucessiva. Por alguma razão, não consegui organizar tudo convenientemente. As abóboras e chilas invadiram tudo. As courgettes ocupam espaço a sério. Também preciso de pensar melhor a questão das zonas de sombra e Sol. Aqueles dias de calor infernal foi meio caminho andado para alguns dos insucessos, mesmo regando abundantemente.
Outra coisa que eu acho que falhou, foi a pouca quantidade de composto que tinha disponível. Usei o que tinhas, mas era necessário muito mais. Para o ano isso não falha, pois é sabido que é o primeiro passo para plantas fortes, saudáveis e com chances de resistir às pragas.
Também por via de afazeres múltiplos e ter de estar em todo o lado, não consegui manter o ritmo dos primeiros meses. As ervas, incluindo a junça, foram ganhando terreno e a certo ponto a coisa parecia incontrolável.
Por falar em pragas — o meu pai, após grande sessões a dar-lhe cabo daquela cabeça, mais o facto de ver o meu esforço e resistência a usar químicos, lá conseguiu ter as colheitas dele também sem usar o arsenal. E coisas bem pujantes, como os pimentos, tomates e feijões trepadores.
E está a ser assim. Se alguém tiver histórias da horta deste ano, gostava da as saber.

7 Responses to “Tomates e outros bichos”

  1. Rui Matos

    Boas!
    Fico contente por se lembrar ainda das minhas fotos.
    Isto das culturas tem muito do que lhe diga!
    comigo a taxa de sucesso também anda comedida!
    o que e pos mais chateado foi o facto do sol da segunda semana de agosto me ter exterminado os meus carvalhos americanos e os meus kiwis, para alem de ter deixado mazelas em quase todas as outras culturas.
    a ver se deixo fotos!

    Abraço
    RMatos

  2. José Rui Fernandes

    Os carvalhos eram novos?
    Os meus estão a rolar, mas estão no terceiro ano. Há um no Sargaçal que já “morreu” três vezes e renasceu outras tantas — não desista já deles. Pode ser que rebentem para o ano.
    Aqui tenho em vaso umas 150 árvores; morreram dois azevinhos, um cedro-do-atlas e uma bétula — tudo bem regado e junto dos outros. Às vezes as plantas têm destas coisas.
    Ao meu pai, foram duas macieiras, uma das quais com uns cinco anos. A outra era a bravo-de-esmolfe que já aqui tinha falado (a minha está viçosa e com três maçãs).
    Muitos dos meus insucessos — julgo eu — deveram-se ao excesso de calor este ano (muito concentrado e brusco).

  3. liliana sousa

    Cá vai a fase nº1 da minha “hortinha”…..
    Fiz a sementeira (cuidadosamente) de tomate, alface, salsa,coentros, nabo, feijão, tomate e a bela da hortelã.Gostava de dizer os nomes cientificos destas preciosidades, mas não reparei. Assim, tenho para relatar o seguinte: a salsa e os nabos estão a crecer timidamente, os restantes ainda “dormem”.

    Tenho cuidados com a rega e com o sol/sombra e estou a aprender a fazer o famoso composto.

    A novidade é k só tenho um terraço para executar esta experiência, assim, e segundo o grupo de “especialistas” que teimam em opinar sobre o meu cantinho…..não vou ter grande sorte! teimo e digo “vamos ver!”. Tenho é k convencer alguma alma caridosa a proceder à rega na semana de férias k falta-me gozar, caso contrário nada resiste à sede.

    Se a dita correr-me bem vou enviar fotos para que os agricultores mais experientes vejam as produções da zona de Lisboa:)

  4. jose rui fernandes

    Cara Liliana, atenção às épocas próprias. É um pouco tardio para sementeiras.

    Sendo um terraço, tem de ter especial atenção com a alimentação. Os tomates brandywine que tenho no vaso (grande) só deram dois exemplares.

    Mas alguma coisa há-de resultar — aposto na salsa, hortelã e coentros :) .

  5. liliana sousa

    Obrigada….eu consultei as indicações do pacote de cada uma das sementes:) Se vota na hortelã e coentros não ganha, pq desses não há nada a registar. Vou enviar foto asssim k haja novidades….nem k seja só a salsa!

  6. Cristina Pinto de Barros

    Como se chama em português a praga, doença ou peste a que os ingleses chamam “greenback”?
    Estou a traduzir um livro inteiramente dedicado ao fruto tomate e não consigo encontrar nada que me explique o que é este problema, que pode surgir numa sementeira de tomate.
    Fico-lhe muito grata se souber e me puder ajudar.
    Obrigada,
    Cristina Barros

Deixe um comentário

Mantenha-se no tópico, seja simpático e escreva em português correcto. É permitido algum HTML básico. O seu e-mail não será publicado.

Subscreva este feed de comentários via RSS

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.